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Rejuvenescimento do ovário pela infusão de PRP (plasma rico em plaquetas)

Rejuvenescimento do ovário pela infusão de PRP (plasma rico em plaquetas) é um procedimento médico com o objetivo de se obter novos óvulos (oócitos) dos próprios ovários de mulheres que não os produzem mais em quantidade ou com qualidade capaz de serem fertilizados. As principais indicações são a menopausa precoce, a idade materna avançada ou a baixa reserva de oócitos (óvulos). O benefício deste procedimento é uma possibilidade de se alcançar uma gravidez com os próprios óvulos, principalmente naquelas mulheres que não aceitam óvulos de doadoras.

Uma vez que se trata de um tratamento médico ainda experimental, deve ser entendido que não há garantia de sucesso de gravidez, natural ou proveniente de tratamentos de fertilização. Os riscos deste procedimento são mínimos e, basicamente, os mesmos para um procedimento de coleta de óvulos no processo de fertilização in vitro. Os efeitos colaterais são aceitáveis e devem desaparecer em 1-2 horas após a realização do procedimento com analgésicos. As complicações são raras, mas, excepcionalmente, podem resultar em hospitalização.

A possibilidade de rejuvenescimento do ovário

Embora não seja possível produzir óvulos de forma natural, o tratamento proposto baseia-se em relato de caso recentemente apresentado em um congresso na Alemanha por um grupo do Egito. Trata-se do caso de uma mulher de 49 anos, na pós-menopausa, que concebeu um bebê saudável e geneticamente normal depois de ter sido injetado em seus ovários uma preparação de suas próprias células sanguíneas, que recebeu o nome de PRP (Platelet Rich Plasma = Plasma Rico em Plaquetas) ou terapia com PDGF (Platelet Derived Growth Factors = Fatores de crescimento derivados da plaquetas).

Embora, neste caso, a possibilidade de uma gravidez natural não possa ser descartada, o nascimento de uma criança saudável deve estar relacionado ao rejuvenescimento do ovário. A concepção espontânea era ainda mais improvável nesta mulher em particular porque não tinha menstruações há quatro anos e ela nunca tinha concebido em 30 anos de casamento.

Esse caso estimulou outros pesquisadores a testarem a técnica. Em 2016, no congresso anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE - European Society of Human Reproduction and Embryology), realizado em Helsinque (Finlândia), foi apresentado um novo trabalho utilizando esta técnica. Os autores (K. Pantos, N. Nitsos, G. Kokkali, T. Vaxevanoglou, C. Markomichali, A. Pantou, M. Grammatis, L. Lazaros, K. Sfakianoudis) são do Centro de Reprodução Humana Genesis, de Atenas, na Grécia. Neste trabalho, eles testaram a injeção de PRP em 8 mulheres na perimenopausa, que não tinham mais ciclos menstruais. Todas retornaram seus ciclos menstruais de 1 mês a 3 meses depois e conseguiram obter óvulo na coleta. Entretanto, os embriões não haviam sido ainda transferidos para sabermos os resultados de gravidez.

Fatores de crescimento

Os fatores de crescimento são produzidos naturalmente por certas células do sangue (plaquetas e glóbulos brancos). Quando o corpo está ferido, a fim de reparar naturalmente seus tecidos, ou quando alguém cai e "esfola" o joelho, observa-se, alguns dias depois, uma substância amarela grossa sobre a área lesada. Isso, na verdade, é uma combinação de plaquetas, glóbulos brancos, coagulação do sangue e fatores de crescimento que impedem o sangramento, previnem a infecção e, eventualmente, provocam a formação de nova pele, vasos sanguíneos, tecidos conjuntivos e nervos para substituir aqueles que foram destruídos como resultado da lesão.

A base científica deste relato de caso de rejuvenescimento ovariano bem sucedido se baseia no fato que, as células sanguíneas, que foram injetadas em seus ovários, produziram estes fatores de crescimento, os mesmos que o corpo normalmente cria para curar lesões internas e externas.

Entre muitas outras funções biológicas e imunológicas importantes, os fatores de crescimento causam o desenvolvimento de novos vasos sanguíneos, tecidos conjuntivos e nervosos por meio da ativação de células estaminais ou totipotentes (células capazes de se diferenciar em outros tipos de células) que são normalmente encontradas em todas as partes do corpo humano.

No ovário, acredita-se que o PRP, com seus fatores de crescimento, estimula a vascularização ovariana e o recrutamento de folículos primordiais ainda existentes, mas que não conseguiam mais ser estimulados.

Além disso, recentemente foram detectadas células-troncos nos ovários. Elas podem, sob o estímulo biológico adequado, tranformar-se em qualquer tipo de célula no corpo humano, inclusive em óvulos. A presença de células-tronco nos ovários e sua transformação em oócitos (ou óvulos) maduros têm sido demonstrada em ratos por pesquisadores de Harvard. No ovário humano, também foram demonstradas a presença de células-tronco, por isso é perfeitamente possível que estas células possam ser transformados em óvulos por estes fatores de crescimento contidos nos próprios glóbulos brancos e plaquetas das mulheres que forem injetados no ovário.

PRP (Plasma Rico em Plaquetas)

O plasma rico em plaquetas (PRP) é produzido a partir do sangue da própria paciente em que será utilizado (sangue autólogo). O método é notavelmente simples e fácil de executar. A amostra é processada em uma centrífuga para aumentar as plaquetas, separando vários componentes de sangue, as células brancas e vermelhas do plasma e plaquetas.

As plaquetas são ricas em vários fatores de crescimento diferentes que vão atrair outras células de reparação (neutrófilos, monócitos, fibroblastos), também chamadas de células “trabalhadoras”, que permitem a proliferação tecidual. Este processo de preparação leva cerca de 45 minutos no total. O tempo e o número de centrifugações e a velocidade interferem na concentração final das plaquetas. Por meio desta ativação, as citocinas e os fatores de crescimento tornam-se bioativos e são segregados dentro de dez minutos após a coagulação.

Estes elementos incluem o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), o fator de transformação do crescimento beta (em inglês: transforming growth factor beta – TGF-β)) que controla a proliferação e diferenciação celular, e outras funções na maioria das células, o fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) e o fator de crescimento epidermal (ou em inglês Epidermal Growth Factor – EGF).

Há alguns anos, as injeções de PRP têm sido usadas clinicamente por alguns médicos para o tratamento de lesões de tecidos e enxertos ósseos. Muitos atletas profissionais usam esta terapia para acelerar a cura de seus ferimentos causados durante a prática de esportes. Na infertilidade, a infusão de PRP intrauterino tem sido utilizada há algum tempo por clínicas de vários países, e pelo IPGO, nos casos de endométrio fino com má resposta aos medicamentos habituais. Este tratamento tem demonstrado bons resultados ao promover o crescimento endometrial satisfatório e melhorar, nestas pacientes, o resultado da gravidez.

Como é realizado o procedimento?

Em mulheres que não menstruam, o procedimento pode ser realizado a qualquer momento. Já em mulheres que menstruam regularmente, é recomendável que se realize o procedimento durante o período menstrual, ou no início do ciclo, antes do desenvolvimento de um folículo dominante. O procedimento pode ser realizado no dia da avaliação inicial.

O processo em si envolve dois passos. O primeiro é a preparação do PRP que começa com a retirada do sangue da paciente. Ele é retirado, centrifugado e os glóbulos brancos e as plaquetas separados dos glóbulos vermelhos. A próxima parte do processo de rejuvenescimento do ovário é a injeção do PRP nos ovários. “Na minha opinião, a melhor opção para esta injeção é a abordagem não-cirúrgica. Nesta técnica, uma injeção guiada por ultrassom transvaginal é dada, sob sedação. Este é o mesmo procedimento usado na coleta de óvulos nos tratamentos de fertilização in vitro e pode ser considerado um procedimento seguro, com uma recuperação curta confortável”.

Quem são as candidatas a este procedimento?

Qualquer mulher que esteja em boa saúde física e se enquadrem em uma ou mais das três categorias de pacientes:

  1. Mulheres na menopausa ou perimenopausa com idade inferior a de 50 anos.
  2. Mulheres inférteis com baixa reserva ovariana (diminuição de folículos antrais, aumento de FSH ou níveis baixos do hormônio antimulleriano).
  3. Mulheres com insuficiência ovariana prematura (POF).

Os exames básicos para este procedimento são: clínico e ginecológico, com dosagens hormonais entre o 3º e 5º dia do FSH, LH, Estradiol e hormônio antimulleriano, além de um ultrassom vaginal para avaliar a reserva ovariana.

O procedimento de seguimento

A fim de monitorar se o procedimento está funcionando e regenerando novos óvulos, devem ser avaliados por um período de seis meses os níveis de AMH (Hormônio antimulleriano), FSH, LH e Estradiol, em intervalos mensais, nas mulheres que não menstruam, e durante o fluxo menstrual nas mulheres que menstruam. Os resultados iniciais já podem ser observados após um mês a três meses. Se os níveis de AMH aumentarem, e os níveis de FSH, LH e estradiol abaixarem, há uma evidência objetiva de rejuvenescimento do ovário.

Mesmo se o rejuvenescimento dos ovários for observado, não há garantia que uma gravidez também ocorrerá, pois pode haver outros fatores que interferem em uma concepção natural como problemas no sêmen, tubas ou endométrio, por exemplo.

Conclusão:

O PRP, na infertilidade, tem demonstrado ser efetivo em mulheres com problemas na cavidade endometrial (endométrio) e falência ovariana. Os resultados destes estudos precisam ser mais bem avaliados (randomizados) para que possamos chegar a uma conclusão segura da sua eficácia (ou eficiência) neste tipo de tratamento.

Porém, há uma esperança de que o rejuvenescimento do ovário possa ser consagrado como uma opção terapêutica para as mulheres que têm idade avançada e, por isso, não consegue engravidar. Entretanto, é importante deixar claro que ainda não existem estudos que comprovem os efeitos benéficos destes tratamentos, mas as investigações continuam e já está comprovado que não existem riscos para a paciente. Isso porque o procedimento é feito a partir do sangue de quem está sendo submetida ao tratamento. Além disso, uma vez que não existem produtos químicos sintéticos envolvidos e o PRP é feito a partir dos próprios produtos de sangue do paciente, podemos ter uma certa segurança na sua execução, pois a possibilidade de uma reação alérgica, ou de outros efeitos colaterais, é extremamente improvável.

É ainda considerada uma  técnica experimental e, por enquanto, não autorizada no Brasil. O IPGO só ministra tratamentos com Coenzima Q10, Rejuvenescimento via HIPPO (somente as pacientes que obedecerem os critérios de inclusão do IPGO) e outros tratamentos para casais com baixa reserva ovariana.

Centro de Reprodução Humana do IPGO - Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia
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